Apresentação

O Museu do Bísaro nesta primeira fase apresenta-se virtualmente, a seu tempo será corporizado numa estrutura física concebida de modo a possibilitar plena fruição dos cinco sentidos tendo como suporte colecções de vária índole representativas do porco BÍSARO. Trata-se de um apurado descendente do brioso animal que há milénios era animal totémico como o demonstra o Pelourinho de Bragança, elemento protector de clãs, encerrando nele próprio virtudes capazes de levarem o homem a render-lhe culto.

Não por acaso no século I, Plínio o Velho na obra História Natural em relação ao porco afirma:”De nenhum outro animal se tira melhor matéria alimentar para a glutonaria”. Nessa época costumava-se sacrificar um porco tendo pelo menos seis dias para se celebrar um tratado de paz, ou uma festa nupcial.


No Egipto e na Síria considerava-se animal sagrado, os celtas rendiam-lhe culto, na Grécia venerava-se uma deusa Porca, alimento mágico na Melanésia e Nova Guiné, delícia na China, o porco é referência constante em todos os tratados e livros de cozinha, desde o famoso De Re Coquinaria de Apícius, até aos nossos dias, com excepção dos livros de receitas da cozinha judaica e muçulmana.

Com efeito, o porco é interdito na religião judaica e na religião muçulmana por razões fundamentadas nos textos sagrados que as animam e centradas nas noções de puro/impuro no referente às práticas alimentares dos seus seguidores. No mais, o porco foi incorporado na dieta alimentar da maioria dos povos atingindo o estatuto de produto estratégico na economia de diversos países.


A universalidade do porco é evidente, tendo sido construída ao longo dos séculos, abarcando todos os domínios. Porque tinha um importante papel na vida quotidiana dos povos, em inúmeras regiões e localidades da Europa, o porco centrou sobre si ritos e rituais a originarem extraordinárias manifestações nas múltiplas áreas do saber e no referente aos patrimónios imateriais e materiais.

E, percebe-se a omnipresença do porco em geral e do porco Bísaro em particular na região transmontana.

Economicamente detinha importância primacial na vida das famílias. Sendo a principal fonte de proteínas de origem animal, tudo o mais ficava ameaçado quando as epidemias dizimavam os porcos. Se a matança corresse mal, se os enchidos ficassem estragados, a família iria passar privações durante todo o ano. Por essa razão o recurso aos santos para protegerem o precioso animal que conforme a idade e as regiões recebeu múltiplas e vivazes designações que enumeram em conteúdo próprio.



Fortes oferendas recebiam Santo Amaro, Santo António Abade, São Martinho, São Aventino, e Santo Antão, os sinais representativos desde último são um porco e um sino, em troca pedia-se-lhe protecção a fim de os animais ficarem gordos e luzidios de modo a propiciarem carne na salgadeira e fumeiro até à próxima matança. Em muitas fachadas e capitéis das igrejas encontramos porcos e porcas numa demonstração da importância que possuíam nas sociedades mais antigas, enquanto mealheiro de pobres e ricos pode-se assim considerar por em alturas aflitivas ser a última e certeira resposta.



O porco não só é animal que nos proporciona intenso prazer palatal a persistir na nossa memória, ele foi inúmeras vezes a derradeira salvação comestível, por essa razão muitos consideram-no o maior amigo do homem (dizem os amantes da sua carne e derivados), é fonte de rendimento, é também uma personagem afável, que no nosso imaginário surge naquele porquinho lúcido, inteligente, bem intencionado, mas não parvo, que esforçadamente corrige os outros porquinhos e, assim vence o lobo mau.



O Museu do Bísaro convida o visitante a percorrer os conteúdos que apresentamos numa sequência estruturada de forma a todos ficarem a conhecer o simpático Bísaro e as suas características.


Seja Bem Vindo!​

Porco a correr
Quinta do Bísaro
Quinta do Bísaro