Superstições, Diabologia, Bruxarias, Medicina popular

“Não se deve passar de noite próximo de um chiqueiro de porco, porque se pode ser atacado pelo mau-olhado.”



“Uma porca comia os leitões: puseram-lhe um escrito, sobre o qual o padre tinha dito missa, e imediatamente a porca deixou de comer os leitões pois fazia em consequência do mau-olhado.”
In: Etnografia Portuguesa de J. Leite de Vasconcelos, vol. IV



“Para curar o reumatismo é bom o seguinte remédio: misturam-se iguais quantidades de «urina» de porco macho, da que lhe fica na bexiga depois de morto e «banha» derretida do mesmo. Misturam-se com boadanha (planta) e alfazema e fazem-se com toda a mistura fumentações.”
“Os espinhos metidos nos pés tiram-se por si, logo que se ponha sobre eles fel quente de porco macho.”
“Quando se deitam os porcos para irem fossar, é bom medir-lhes o rabo com um pau, que depois se mete debaixo da pia onde eles têm o comer, a fim de não se perderem e voltarem a casa.”
In: Contribuições para uma Mitologia Popular Portuguesa, de Consiglieri Pedroso



“O encontro do porco preto, é o próprio Diabo; quando se deitam os porcos a fossar mede-se-lhe o rabo e põe-se a medida debaixo da pia, para eles voltarem sempre para casa.”
In: O Povo Português, de Teófilo de Braga

Black Pig

O sal que se atira ao sair de casa é para esconjurar o mal, e a arruda levada no bolso é contra o mau-olhado. Ao se voltar a estrumar a corte novamente, deita-se-lhe sal por causa do lobo, ou mijo do lobo.

A lua influência, por essa razão só se deve matar o porco no quarto crescente, porque no minguante minga a carne, e na lua nova rompem-se as tripas.


- Tradições barrosãs

“Conta-se que em Nápoles, o diabo mostrava-se antigamente muitas vezes debaixo desta figura (porco) no lugar onde foi edificada a Igreja de Nossa Senhora a Maior, o que aterrorizava toda a sorte de napolitanos, temendo-se deixarem deserta a cidade nalgum dia, mas a Santa Virgem apareceu ao bispo e mandou que se construísse uma igreja no lugar onde se deixava ver o porco infernal. Logo que começaram a levantar o tempo o diabo deixou de aparecer. Em memória a este sucesso o bispo Pompónio mandou fazer um porco de bronze que se encontra na Igreja.
Um irmão leigo, no século XII, viu o diabo debaixo da figura de um porco, momentos depois debaixo da figura do prior do convento.
Lê-se em Camerario que numa aldeia alemã, tendo ido um judeu enfermo a casa de uma velha, e tendo pedido leite de mulher, que acreditava curá-lo, a bruxa mandou trazer uma leitoa que criava e deu o seu leite ao judeu o qual bebeu uma porção. Como principiou a fazer efeito, o bom notou que grunhia e adivinhou a trapaça que a bruxa lhe ia pregar, pois queria sem dúvida fazer-lhe sofrer a metamorfose dos companheiros de Ulisses. Atirou com o resto do leite e de repente morreram todos os porcos das cercanias.”
In: Dicionário Infernal, de Colin de Plancy. Barcelona, 1842



Para curar:


O rebunhão
Para se curar o rebunhão deve usar-se a água da pia dos porcos.
- Tradição barrosã



Unheiro e penariz
Deve ser amèzinhado por indivíduo que tenha morto uma rata com a unha do dedo polegar da mão direita. O pingo sem sal é excelente.



Bertoejo
Embugar-se no covil dos porcos em saiote vermelho de pano fino.



Negras
Pôr-lhe em cima o fel dos porcos.



Queimado
Eras, carne gorda de porco, bazelos, azeite e sebo.



Para o fluxo
Juntam-se as unhas de porco (porca não serve), e põem-se a torrar em uma telha que ainda não serviu; moem-se, e deita-se o pó em um copo de quarteirão misturado em vinho de 4 anos. Deixa-se estar 24 horas a «serenar» e toma-se às colheres. Depois só se deita para cada vez uma colher do chá.
In: Folklore do Concelho de Vinhais, de Firmino Martins

Circe tinha por hábito transformar os homens em porcos

Circe tinha por hábito transformar os homens em porcos, só Ulisses a afrontou e obrigou a desfazer o feitiço após o deus Hermes lhe ter facultado a chave do segredo para lhe resistir

As Bruxas de Northamptonshire

Capa de um panfleto de 1612
intitulado “As Bruxas de
Northamptonshire”