Medicina para porcos

Medicina para porcos

“É sintoma de febre quando as cerdas se eriçam e quando depois de uma curta corrida se detêm de pronto nos pastos e se deixam cair desmaiados. Nessa altura há que observar o lado que inclinam a cabeça para praticar uma sangria na orelha do lado contrário. Ainda assim, debaixo do rabo a dois dedos dos pernis deve abrir-se uma veia, que nesse ponto está suficientemente dilatada, convém golpeá-la previamente com uma vide, logo, quando está inchada pelo efeito da varinha, efectua-se um corte com o bisturi, e depois de extrair o sangue, venda-se com casca de cortiça ou de olmo. Uma vez efectuado o anterior, se manterá o gado a coberto um ou dois dias e administra-se-lhe água suficiente, relativamente quente, e um sextario * a cada um de farinha de cevada.


Quando têm papeira há que sangrá-los debaixo da língua e, quando tenha saído sangue, é bom esfregar-lhe o focinho com sal fino misturado com farinha de trigo-candial.


Para os que têm náuseas consideram-se sãs as limalhas de marfim misturadas com sal frito e favas bem moídas, administradas em jejum antes de saírem a pastar.


As porcas devem criar-se no verão perto das ribeiras, lagos ou poças, ou devem preparar-se charcas que contenham lodo, já que, se não refrescam a miúdo a sua volumosa e dilatada pança no lodo, sofrem com o calor da estação e contraem uma enfermidade pulmonar, doença que se cura prendendo-lhe nas orelhas a raiz correspondente, ou seja: a pulmonaria.
Para que os porcos no fiquem doentes se lhes dará a comer caranguejos de rio.”


In: Medicina Veterinária, de Paládio.
*Medida romana.
• Paladio Rutílio Tauro Emiliano foi um romano dos finais da Antiguidade autor de um famoso Tratado de Agricultura